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MISTÉRIOS MARCORELIANOS
Contos Misteriosos-1

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No jornal NOVA IMPRENSA, escrevi o conto abaixo, enfocando a cidade de Formiga, Minas Gerais num futuro não muito distante...

UMA FAMÍLIA FORMIGUENSE

No século 22, a vida é muito mais amena se comparada com os séculos 20 e 21. Como já se sabe, nesses dias, a mentalidade é outra. Tudo graças às estruturas familiares atuais, recompostas de acordo com o grau evolutivo presente.

Os cabeças das famílias, geralmente o pai e a mãe têm plena noção de sua responsabilidade para com seus descendentes e para com a própria sociedade. Tratam de educá-los sempre de acordo com os ditames morais e espirituais. A família é - como sempre foi - a mola-mestra de uma comunidade bem estruturada. Sua união não só ajuda a preservar o bem-estar alheio, como também no progresso individual. Desde os primórdios da humanidade, a importância de um time de consanguíneos é reverenciado e exaltado, pois se não há base familiar, não há progresso mental, espiritual ou físico. Felizmente, Formiga pode se orgulhar de seus filhos, os responsáveis pelo que a cidade representa para toda a região do Centro Oeste neste significativo século.

Praticamente, os tradicionais grupos familiares formiguenses ainda permanecem radicados neste paraíso brasileiro do Hemisfério Sul. Famílias, tais como os Senna; Leão Basílio; Vaz da Silva; Filpe Chagas; Avelar Teixeira; Freitas Pereira; Belo Pereira; Couto; Filogônio; Rodarte; Rocha; Almeida, dentre outros, são dignos representantes desta era de certezas e de definitiva realização humana. Mas, como não podia ser diferente, ainda existem famílias compostas por pessoas diferentes entre si. São irmãos, mas seus temperamentos são distintos, apesar de terem sido gerados pelo mesmo ventre. E este é o tema desta semana.

Na cidade, há uma determinada família composta de quatro filhos: Magnus; Marden; Marcius e Maruza. O chefe da casa, Lúcio, é um senhor sereno e complascente, que sempre se preocupou com a educação de sua prole. Todavia, com o passar do tempo e com os rebentos, em plena adolescência, florindo forte e sadios, começou seu espírito a desbordar de inquietações e incertezas.

Lúcio notou, certa feita, que cada filho tinha um jeito único de ser e essa forma de se comportar diferia radicalmente dos feitios dos demais componentes da família.

Na parte afetiva, Magnus, o mais velho, era um rapaz arredio, de poucas palavras. Em contrapartida, seu potencial para lidar com a cibernética era muito alto, por isso mesmo se dedicava com muita responsabilidade nessa infindável área. No campo das crenças, ele relutava em acreditar em qualquer coisa. Preferia as coisas palpáveis, concretas. Não se arriscava em vislumbrar o oculto nem tão oculto assim nestes tempos.

Ao seu turno, Marden era o oposto do primogênito: um ocultista nato, fazia parte dos grupos de pesquisa da cidade. Não tinha interesse pela tecnologia, contudo sempre se mostrava ser uma pessoa vaidosa.

Marcius, o penúltimo da turma, era o indiferente, não se furtava às festas e comemorações, mas também não gostava de se expor muito. De vez em quando, despertava certo interesse pelas novas ciências que proliferavam em Formiga.

Finalmente, a caçula, Maruza, procurava fazer sempre o que lhe aprazia, sem obedecer a ninguém. Uma camaleoa que sempre se adaptava com facilidade nos círculos em que fazia parte. E esses lugares diferiam periodicamente, isto é, de acordo com seus interesses do momento, ela fazia um tipo específico de amizade. Contudo, sempre foi um garota alegre, apesar de rebelde e eternamente desconfiada de tudo e de todos.

Este era o drama de consciência do velho Lúcio. Como podiam ser tão diferentes se foram criados da mesma maneira? Foram educados igualmente, sem privilégios para um ou para outro, com exemplos idênticos e orientados por iguais ensinamentos!

"O que me resta fazer, é procurar um conselho do Justiceiro Advíncula, a fim de amenizar um pouco esta minha angústia e esta minha sensação de ter falhado de alguma forma", pensou ele com a sua habitual firmeza que sempre o identificara. E assim fez.

Na "Sessão de Plena Justiça", conseguiu uma hora com o sapiente conselheiro da região, que ao vê-lo, bondosamente lhe disse: "Sou todo ouvidos, meu estimado amigo! O que ora aflige a sua inquieta alma?"

Lúcio postou-se em frente ao eminente Justiceiro Advíncula e revelou-lhe o por quê de sua presença naquela "Sessão de Plena Justiça" - momento em que todos os formiguenses e mentalistas da região do Centro-Oeste, se prestavam a ouvir seus sábios e justos conselhos.

"Eminente Mestre e Justiceiro deste e de outros tempos da vida terrena: tenho quatro filhos. Todos eles foram educados igualitariamente, sem distinções. Eu e minha esposa, Claira os tratamos com bondade, sem asperezas, pelo caminho do Bem e da Virtude. E agora que estão crescidos, prontos para a vida, que vejo? Cada um deles tem um gênio, um caráter, uma maneira própria de ver a vida!"

E discorreu sobre cada um, enfatizando suas qualidades, mas falando dos defeitos em voz baixa, como que se não quisesse ser ouvido pelos demais componentes daquela solene sessão: atitude típica de um pai amoroso e dedicado que só gosta de exaltar o lado positivo de sua querida prole. O Justiceiro Advíncula, como sempre, ouviu atentamente com a usual serenidade, sem esboçar qualquer reação.

Em um dado momento, o Justiceiro, fez um gesto com as mãos. Tocou-as nos ombros daquele senhor preocupado. Uma leve, porém significativa vibração percorreu-lhe as entranhas. Então, o compassivo e justíssimo conselheiro, levou o deprimido pai a uma outra sala, onde as paredes eram da cor de barro. Havia nessa sala apenas uma mesa quadrada, tosca, de ferro, daquelas antigas do outrora século 20. Ali estavam colocadas quatro bolas.

"Está vendo, meu estimado amigo, estas quatro bolas? Repare bem. Observe-as com atenção. São rigorosamente iguais na forma, no tamanho, na densidade e na cor. Tem alguma dúvida? Todas as quatro encerram o mesmo peso. São, pois, perfeitamente idênticas! Certo?"

"Concordo plenamente com o senhor. É certo que são idênticas em tudo... - concordou o velho, depois de sopesar as quatro bolas e revirá-las nas mãos - Poderei jurar, pela sombra dos Mestres Cósmicos, que estas quatro bolas são perfeitamente iguais!"

"Pois bem - tornou o sábio Advíncula - as aparências enganam. Enganam os mais atilados e os mais precavidos. Atire uma a uma, com a mesma força, como o mesmo impulso, as quatro bolas de encontro àquela parede."

Lúcio atirou a primeira bola; e esta, com o choque, achatou-se, esborrachou-se e caiu disforme ao pé da parede. Tomou, a seguir, a segunda bola e arremessou-a à parede, exatamente como fizera com a primeira. Essa bola, ao chocar-se com o muro, ficou pregada no lugar em que havia batido e dali não se desprendeu mais. Coisa bem diversa aconteceu com a terceira bola. Esta ao ser lançada, como as anteriores, bateu na parede e saltou de novo, perfeita, como se fosse movida por estranha mola segura e firme. A quarta e última bola, arrojada de encontro a parede, deu um estalido forte e fragmentou-se em vários pedaços que espirraram para todos os lados.

"Essas quatro bolas - concluiu o judicioso discípulo dos Mestres da Grande Fraternidade Branca - são precisamente como os filhos do mesmo pai. Parecem iguais, deviam ser idênticos, mas cada um deles tem um caráter distinto. A primeira bola, que bateu na parede e caiu como um molambo é o filho que se preocupa só com as coisas concretas do mundo, por isso se altera com qualquer baque; a segunda bola, agarrada à parede, é o filho teimoso, rebelde que se adapta a tudo, mas desconfia de tudo; a terceira bola é o filho prestativo, pesquisador, vai de encontro as vicissitudes da vida, no caso, a parede, e volta intacto. Assim mesmo, precisa ter cuidado para que a vaidade não o cegue e obscureça suas qualidades. Por fim, a quarta e última bola é a imagem do arrebatado, do indiferente e impulsivo: aquele que nunca está satisfeito, apesar de freqüentar todos os meios. Por isso, espatifou-se, tendo em vista sua fragilidade que, contudo, poderá ser ainda moldada com sucesso para o lado positivo.

Pode o homem fariscar tesouros e colher sabedoria por todos os cantos do Planeta, mas só a verdade absoluta é que fica em seu coração. Vá em paz, estimado Lúcio e compreenda que as ações podem ser iguais, mas as reações sempre serão diferentes!"


*Baseado num conto de Malba Than