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MISTÉRIOS MARCORELIANOS
Amigos Misteriosos-4

EXISTE A "RE-ENCARNAÇÃO"?
Mário Cimbalista Jr.
Pesquisador

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CONCLUSÃO

O que se chama de "re-encarnação" é um efeito da maneira pela qual se observa um conjunto organizado de experiências. É um caso particular. Ela nem existe e nem deixa de existir, tal qual o arco-íris, que só existe de acordo com o ângulo que se olha. Se for útil para nossos interesses pessoais, podemos considerá-la existente e montaremos uma linha de trabalho que a leve em consideração. Se não for útil, não necessitaremos dela e agiremos de outra maneira. De qualquer forma, nem o tempo, nem o espaço, nem a vida, nem a morte, nem a individualidade, tem existências isoladas. Todas dependem intrinsecamente do EU atemporal de cada um de nós.

A "Verdade" e a segurança que se busca por trás da idéia ou crença na "re-encarnação" só poderá ser encontrada no Real, naquilo que não muda, no EU, na testemunha contínua de todas as experiências. Esse EU-sem-nome é a única coisa "Verdadeira", imutável, contínua em todas as experiências humanas. Esse EU-sem-nome é a única "coisa" Real e que "Realmente" existe. Na experiência consciente de SI mesmo, se encontrará a paz e a estabilidade, a segurança que se almeja, para aproveitar a encarnação ou as re-encarnações. Todas sempre ocorrem, ocorreram e ocorrerão simultâneamente no único momento contínuo à nossa disposição, o Aqui-e-Agora.

Seria uma boa sugestão não perdermos muito "tempo" procurando pelo que pode ser "criado" quando bem entendermos. Quem é que se preocupa com o arco-íris? Eventualmente seria muito mais proveitoso descobrir como criar o que emocionalmente queremos do que ficarmos presos a um ou outro modelo. Mesmo que esse "criar" seja também um modelo.

Aproveitemos a vida construindo nossos sonhos, Amando nossos próximos como a nós mesmos, sejam eles - ou nós mesmos - dependentes ou não da "re-encarnação". Desde que nosso coração esteja saciado, e que não maltratemos conscientemente a ninguém, que diferença faz se existe re-encarnação ou não?


INTRODUÇÃO

Com relação a tão discutida e comentada "re-encarnação", ouvi recentemente de um médico amigo meu a simples declaração de que, se está na mente das pessoas, é real. No entanto, para aqueles que desejam elaborar mais essa crença, dentro do emaranhado de conceitos e definições que temos hoje em dia em nossa cultura (2002 DC), podemos apresentar abaixo algumas idéias.

Discute-se sobre a idéia da "re-encarnação", sobre se existe ou não, sobre se afinal nós "re-encarnamos" ou não, sobre se é um "fato" ou não. Talvez fosse interessante discutir um pouco mais a fundo esse tema. Evidentemente, devemos estar atentos ao fato de que essa discussão poderá terminar como apenas um jogo de palavras e conceitos. Mas, esse é o preço da manifestação; ao delimitar, ganha em foco mas perde em abrangência.

Tal qual é discutida hoje em dia, a idéia da "re-encarnação" exige que alguns pressupostos sejam definidos a priori para que possamos, eventualmente, chegar à uma "conclusão" mais equilibrada. Eventualmente poderemos até chegar à conclusão de que a "re-encarnação" é uma trivialidade útil (como tantas outras) e que todos podemos "re-encarnar" no instante que quisermos, sem jamais termos qualquer coisa a ver com isso.

O EU QUE ENCARNA

A primeira coisa que pode nos vir à mente ao ouvirmos a palavra "re-encarnação" é: o que é "encarnar"? A idéia da encarnação pressupõe a diferença entre duas coisas básicas, dois objetos de nossa atenção a saber; a carne ou corpo, e algo que está ali "dentro". É o tradicional dualismo em mais uma de suas formas. "Nosso" "corpo" é uma experiência pessoal e é razoavelmente objetiva para nós mesmos. Através de algum dos nossos cinco sentidos experimentamos alguma coisa: tocamos, vemos, ouvimos, sentimos alguma coisa que aprendemos a chamar de "nossa" ou "minha", o "nosso corpoo". Nesses casos há então o pressuposto básico de que:

PRESSUPOSTO BÁSICO Nº 1: O "EU" é "diferente" do que experimenta. Até porque, relativísticamente falando, não poderia experimentar a Si mesmo sem uma referência. É uma questão de princípios, delineada muito bem por Arquimedes.

Seria como tentar fazer a ponta da faca tocar a si mesma. Por definição, e podemos constatar isso empíricamente, a ponta da faca jamais poderá tocar a si mesma, mas poderá tocar a todas as outras "coisas", diferentes de si mesma. Da mesma forma, eventualmente o "EU" jamais poderá experimentar-se a SI mesmo e sim sempre algo "diferente" de Si. Sem uma referência, como poderia experimentar algo? Então temos a nossa primeira crença fundamental:

COROLÁRIO 1: "EU SOU algo "diferente" do que experimento". (Basicamente, e num nível bem fundamental, diferente do meu próprio corpo!)". Até poderíamos generalizar e dizer: SER e TER.

COROLÁRIO 2: "Só posso SER o que não posso TER". Destacamos assim a diferença crítica entre essas duas experiências fundamentais.

Dito isso temos então algo que experimenta um corpo, um mundo, alguma outra coisa "diferente" de SI mesmo. E é esse algo que eventualmente estaria dentro do corpo; é esse EU que "encarnaria", que estaria dentro da carne. É discutível no entanto se o EU termina na pele do corpo que habita

O conceito de "dentro" implica na idéia de limites. Aonde é "dentro" e aonde é "fora"? Normalmente considera-se que dentro, para fins humanos e pessoais, é dentro de nossa pele. O mundo "externo" à nossa pele não seria mais "nós mesmos". Isso pode até ser válido enquanto se considere que apenas a sensação tátil descreva nossos limites. Mas nossos limites poderiam também ser definidos como indo até onde algo que aconteça cause uma mudança em nós mesmos.

Se sentimos um toque ou uma dor no nosso pé, isso causa uma mudança qualquer em nós e dizemos que isso acontece em nós por pura convenção tátil. Quando o "outro" dá uma topada, dizemos que isso não aconteceu conosco porque não sentimos a dor. Ou quando o "outro" toma um sorvete, igualmente dizemos que isso não aconteceu conosco porque não saboreamos o sorvete. Mas essa definição é superficial porque efetivamente algo muda em nós porque ouvimos, cheiramos ou vemos alguma coisa. Se vemos um sinal vermelho em um semáforo, pisamos no freio. E se vemos uma criança indo por a mão no fogo, nos apressamos a tentar evitar esse acidente. Assim, mesmo que não tenhamos uma sensação direta do que nossos sentidos nos trazem, elas fazem com que mudemos algo em nossas atitudes, nossos pensamentos e ou sentimentos. Nossos sentidos "esticam" nosso corpo até onde eles alcançam. Nosso EU experimenta o mundo que então deixa de ser só interno e passa a ser um universo.

COROLÁRIO 3: "Só existe o lado de dentro." Se só o lado de dentro existe, então Quem está encarnado??? Será que nosso "corpo" físico imediato delimita Quem está encarnado? Estamos realmente "dentro" desse corpo?

O que seria então esse EU? O EU é um princípio básico e só pode ser indicado e não definido. Correndo o risco de sermos presunçosos, podemos afirmar que todas as palavras apenas indicam e não definem. Representamos simbólicamente uma experiência qualquer com um som, ou uma representação gráfica, e atribuímos a essa representação a característica consensual de representar uma determinada coisa. Mas evidentemente, esse mapa não é o território. Então, e de uma maneira extremamente simplificada, evidentemente incompleta e até incorreta, poderíamos dizer que:

PRESSUPOSTO BÁSICO 2: O EU é a testemunha do que acontece para consigo mesmo. Sejam experiências visuais, táteis, intuitivas ou o que quer que seja, o EU é aquilo que percebe, algo essencialmente indefinível, sem nome, um princípio básico, um ponto de partida. Se tentarmos definir o EU poderemos escrever um tratado sem sair do lugar. Muitos discutem qual seria o nome mais adequado para dar a esse EU: Alma, Espírito, Consciência, Self, etc. Mas, aparentemente essas palavras estão tão desgastadas pelo seu (mau) uso milenar que, simplesmente EU, parece muito mais leve e inócuo.

Portanto, vamos contornar mais essa indeterminação e assumirmos que todos nós sabemos empíricamente o que o EU é. É uma experiência nossa, pessoal e intransferível. Somos NÓS mesmos, em um estado de atenção, de percepção pura e sem julgamentos ou avaliações. Pode-se experimentar o Eu fácilmente ao ficarmos esperando silenciosamente que um camundongo saia da toca. Esse estado de atenção indica precisamente o EU.

Mas, aqui chegamos a outro ponto fundamental: esse EU também é, aparentemente, diferente daquilo que costuma-se imaginar que esteja "encarnado".

INDIVIDUALIDADE

Quando se discute a "re-encarnação", o que popularmente se chama de "EU" é a individualidade, a pessoa, um "nome" dado a um conjunto de memórias, expectativas, sonhos, desejos, vontades, pensamentos, atitudes e assim por diante, enfeixados e indicados social e linguísticamente, em um tempo e espaço, por esse "nome".

É isso - a individualidade - que se supõe que re-encarne. O EU, que somos nós mesmos, a testemunha de qualquer coisa - inclusive de nossa própria individualidade - "dentro" de nossos corpos, esse é o único que poderá experimentar a presença ou não da nossa própria individualidade. Parece redundante mas não é. Muito provavelmente, esse EU-sem-nome é o que é, por definição atemporal, absoluto, sem referência. Apenas É e praticamente nada mais pode ser dito sobre ele. Somente esse EU poderá atestar que algo está vivo em relação a SI mesmo, ou que morreu, seja isso o "seu" corpo ou não. Esse EU está ao mesmo tempo acima E abaixo do que experimenta, do que percebe. É maior E menor, antecedente E conseqüente a tudo que lhe acontece. É a base sobre a qual se desenvolve o universo das experiências.

PRESSUPOSTO BÁSICO 3: Somente o EU poderá atestar qualquer mudança em relação a SI mesmo. Talvez utilizando-se do artifício da memória - "diferente" de SI mesmo - o EU poderá constatar que algo mudou. Algo que estava "vivo", morreu; algo que estava "aqui", foi para "lá". Só assim o EU poderá dizer, ainda que de uma maneira extremamente simplificada e até incorreta, "Morri!" ou, "Meu corpo morreu!", "Renasci!" ou "Re-encarnei!".

A CONTINUIDADE DO EU

É claro que isso sempre se referirá à individualidade. O EU permanece estável e contínuo como testemunha da morte e do nascimento, tanto do nascimento do seu corpo e individualidade, como do de terceiros. Recordando: é a individualidade, a pessoa que se imagina que "re-encarna" ou não; é essa que gostaríamos de preservar das angústias e dores da morte. Imagina-se então - esquecendo-se de que somos um EU, que a individualidade poderá ou não desaparecer com a morte do corpo, questionando-se se a individualidade re-encarnará ou não.

Por outro lado, e abrindo um parêntesis aqui, se observarmos que uma individualidade, além do conjunto de memórias, espectativas, atitudes, vontades e assim por diante, é também fruto de uma determinada relação com o meio ambiente físico e social circundante, em um determinado conjunto de momentos. Vemos então que, como esse momentos e circunstâncias não tem como se repetir (dentro de um tempo linear) uma determinada individualidade nunca poderá re-encarnar.

Dentro desse critério somos sempre e contínuamente "outra individualidade", em um processo de equilíbrio e transformação dinâmica. Um exemplo dessa compreensão, é o fato de que hoje já se incorporou no conceito de clonagem, que a "pessoa" clonada será necessariamente diferente da geradora, pois será exposta a estímulos diferentes, que não haviam na época que o doador se definiu como pessoa ou individualidade. Será uma nova síntese de corpo, mente e ambiente, que desenvolverá necessariamente uma nova atitude para consigo mesmo e para com o ambiente no qual interage.

Então, teremos de admitir que o que eventualmente re-encarnaria seria uma seqüência, uma continuidade causal de uma individualidade; talvez, e principalmente, a sua atitude e não "ela" mesma. Assim como obviamente mudamos de um dia para o outro mas mantemos nossa atitude mais ou menos preservada (e efeixada por um corpo e um "nome"), da mesma maneira poderíamos considerar que, se uma mesma atitude, agrupada a um conjunto de memórias e expectativas re-encarnasse, poderíamos simplificadamente considerar que a individualidade re-encarnou.

Mas, como a individualidade é então um conjunto de características enfeixadas por um nome (como se fosse um crachá), é de se perguntar se ela é/está limitada a um corpo, a uma memória, a esse processo chamado "pessoa".

O QUE É UMA PESSOA

Escolhendo uma abordagem física, e não levando em conta as definições psicológicas e filosóficas correntes, podemos estabelecer que as características que definem uma pessoa são no máximo, perturbações eletromagnéticas no espaço-tempo. Diga-se de antemão que não se sabe o que é algo eletro-magnético. Não se sabe o que o magnetismo é, ou o que a força nuclear fraca é, ou o que é a gravitação. É mais um nome que se dá a um fenômeno que se observa quando algo acontece.

Assim, e mesmo sem se saber o que é, sabe-se que de uma certa maneira, podemos testemunhar "perturbações" ou modificações nesse contínuo espaço-tempo e que atribuímos um nome, um crachá a essas perturbações, chamando-as de pessoas. Isso igualmente se aplica a outras "coisas" como arvores, gatos, pedras, copos, canetas e assim por diante. Com relação às pessoas, elas parecem iguais, temporal e superficialmente contínuas (enquanto nos relacionamos com elas), à nossa percepção, simplificando um vasto universo de pensamentos, sentimentos, sensações, sonhos e uma infinidade de fenômenos "internos" que só estão disponíveis a nós por inferências, deduções e lapsos de comunicação limitada.

Mas essas são as "pessoas" que também Amamos e gostaríamos de saber se "re-encarnam" ou não. Como achamos ( e isso é uma crença) que NÓS mesmos somos uma pessoa dessas, também nos interessa saber se morreremos ou não, se "re-encarnaremos" ou não.

QUEM MORRE E QUEM VÊ A MORTE

Só o que "sobre-vive" à morte, pode atestar que ela ocorreu. Isso acontece conosco quando vemos alguém morrer. Nós sobre-vivemos à esse evento e por isso podemos atestá-lo. Mas, como seria para o "morto" em si mesmo? Como saber se o "morto" sobreviveu à sua própria "morte"? E por inferência: como saber se iremos sobreviver à morte de nosso corpo? Afinal de contas, QUEM somos nós? Somos nosso corpo ou somos algo mais? Se somos algo mais, o que É esse algo mais?

Se confundirmos a individualidade com o EU, poderemos dizer que a pessoa, a individualidade sobreviveu à sua própria morte. No entanto, e mesmo assim, essa individualidade jamais será a "mesma" de antes, pois ela era um produto de SI mesma e do meio em que se desenvolveu. Seria o mesmo que encontrarmos um antigo colega de jardim de infância e tentarmos dizer que é a mesma pessoa. O corpo até poderá ser mas, definitivamente, a pessoa não.

Isso poderia ser resolvido de uma maneira simples, invertendo um processo de observação básico e, de uma certa forma, criando um paradoxo. Por exemplo: só se estando vivo depois que se "morreu" é que poderemos dizer que morremos! Se estivermos "mortos" (inconscientes ou não-conscientes), na acepção comum do termo, "depois" de morrermos, jamais saberemos que morremos! A "morte" não é vista como uma experiência que alguém passa, mas sim como um estado de inconsciência de SI mesmo.

TEMPO

Quer seja uma experiência que se tenha, ou que se deixe de ter, a morte nesse contexto está dependente de outra referência, tida normalmente como uma constante "física" (seja lá o que for isso). Só pode ocorrer uma "morte" - que poderá gerar uma "re-encarnação" - no "tempo".

Imagina-se que o tempo seja algo físico. Por exemplo: como podemos observar um balde vazando e esvaziando, como podemos ver os ponteiros de um relógio se mexendo e, todos nós mais ou menos, entramos em um acordo consensual sobre o significado daquela maneira de organizar experiências, achamos então que o tempo é universal e constante.

No entanto, o óbvio nos escapa. A experiência do "tempo" é dependente, é um subproduto da memória, (que também não se sabe o que é realmente.) Sem memória, não temos como medir o tempo, o movimento dos ponteiros do relógio ou o escoar da água. O "tempo", ou ainda mais exatamente, a sensação da passagem do tempo depende do observador. Não existe um tempo físico, material. Todo tempo é mental.

Todas as discussões sobre passado e futuro, sobre se são possíveis viagens no tempo, ignoram que o tempo é um resultado de um processo organizacional do ser humano, no mínimo cerebral e talvez no máximo mental. Não existe tempo sem observador. O tempo é um sub-produto da consciência, do EU.

Algumas pessoas, sobreviventes de traumatismos cranianos por exemplo, tem uma percepção do tempo completamente diferente. Podemos apenas conjecturar sobre o que elas estão experimentando e, lamentavelmente, às vezes isso torna até impossível o seu convívio social.

Assim, a "re-encarnação", que seria a permanência da mesma individualidade (ou conjunto dinâmico de atitudes, memórias e expectativas) ao longo do tempo, em diferentes corpos, passa a ser um fenômeno dependente da memória. Se não houver nem tempo nem memória, não poderá haver "re-encarnação".

O TEMPO VOLUMÉTRICO E O CONTÍNUO AQUI-E-AGORA

Isso leva também à imagem do tempo, e por consequência, das experiências das pessoas, como se fossem contas em um colar; umas colocadas após as outras de uma forma seqüencial e linear.

Então, segundo esse ponto de vista, a "individualidade" progrediria ou evoluiria ao longo desse tempo "físico", experimentando um evento após o outro. Mas, notadamente esse "tempo" linear - físico - é apenas um construto mental, um modelo organizacional, biológica e talvez estatisticamente Gaussiano (Normal). Não seria difícil montar outros modelos igualmente imaginários, de como se experimentar um "volume" temporal de infinitos Aquis-e-Agoras. (Novamente isso seria outro assunto que nos desviaria da discussão de re-encarnação).

O tempo portanto, quando olhado como uma ferramenta para se organizar diferentes Aquis-e-Agoras na memória do observador, comporta uma definição muito mais elástica.

Observando ainda que, eventualmente, o "tempo" seria constituído de infinitos Aquis-e-Agoras, em "n" dimensões, poderíamos imaginar com muito mais exatidão, um volume temporal ao invés de uma linha. Evidentemente, o modelo de "volume" é tão precário quanto o de uma linha. Mas, fica mais simples de compreender como o observador pode "transitar" entre diferentes Aquis-e-Agoras se fizermos esse exercício de imaginação. Passados, presentes e futuros seriam apenas pontos desse contínuo volume adimensional de Aquis-e-Agoras.

A SIMULTANEIDADE DA ETERNIDADE

Um corolário interessante da uniformidade dos infinitos Aquis-e-Agoras, é que todos Aquis-e-Agoras ocorrem simultaneamente. Não há outra realidade além ou aquém do Aqui-e-Agora. Todas as "outras" realidades, futuras ou passadas para uma mesma individualidade, são apenas registros ou prospecções mentais. A única experiência concreta tem de ocorrer na atualidade, no Aqui-e-Agora. Todos os infinitos Aquis-e-Agoras são simultâneos. A "eternidade" é isso aqui mesmo, Aqui-e-Agora. Não existe uma "eternidade" "lá" pois, quando chegarmos "lá", também será apenas outro Aqui-e-Agora.

Isso leva à noção de que o EU "transita" entre os infinitos Aquis-e-Agoras (tanto pré como pós-existentes para aquele observador) e que as decisões que o mesmo endossa definem, também na memória, o plano ou seqüência das experiências que temos.

SUB PRODUTO

A linha de vida que então se desenha na memória é apenas um efeito dessas "escolhas". Mas não é uma linha "Real" e nem sequer única. É um subproduto do método que usamos para organizar e montar as experiências na memória. Como o EU é contínuo, parece que é a mesma individualidade que encarna. Mas é apenas um efeito do ponto de vista que se utiliza. Não existe, independente do EU, uma individualidade que não encarna e nem desencarna.

A encarnação então dessa maneira, existe E não existe, dependendo apenas de como se interage com a memória. Da mesma forma, a "re-encarnação" também existe E não existe.

CAUSA E EFEITO

Uma das principais linhas de argumentação a favor da idéia da "re-encarnação" é que muitos e muitos eventos, se não a maioria quase absoluta dos que observamos, parecem seguir sempre a mesma "lei" de causa e efeito. Mas, e novamente, não é que não exista uma "lei" de causa e efeito. A aparente estabilidade e "universalidade" dessa lei de causa e efeito não se deve às leis em si, mas sim à "estabilidade" do processo da memória - e da observação - em "todos" os observadores. Há um "consenso", uma semelhança em todos os processos que faz com que as "leis" pareçam constantes.

Essa "estabilidade" dos processos leva evidentemente ao pensamento de que o que se observa é constante. Daí à conclusão (eventualmente equivocada) de que existem "leis" é apenas um passo. Repetindo: não são as leis que são constantes, mas sim o processo de experimentação. Colocando o EU observador como constante e contínuo, as leis são novamente apenas conseqüências da forma que se observa e se interage com os eventos. Não é que não existam, mas sim que são apenas um caso particular, quase uma exceção.

Assim, é possível estabelecer a relação causal que se queira, se nos desvincularmos da constância do observado e nos ativermos à constância do observador, do EU. A linha causal é apenas um caso particular de organização dentre as infinitas possibilidades de organização dos infinitos Aquis-e-Agoras.

Há infinitos "passados" possíveis que poderiam culminar no Aqui-e-Agora atual. Assim como, a partir também do Aqui-e-Agora atual existem infinitos futuros possíveis. Assim sendo, todos os futuros atuam sobre todos os passados já que todos ocorrem simultâneamente. Não há uma causa isolada para nenhum evento pois todos são além de simultâneos, contínuos, sendo "separados" apenas pelos processos de experimentação.

Isso compartilha de forma significativa a responsabilidade individual sobre qualquer evento imaginável. Por outro lado, sempre que se "faz" alguma coisa, nunca se faz no "outro" e, sempre, em Si mesmo. "Amar ao próximo como a Si mesmo" é provavelmente muito mais que uma simples regra de conduta. Provavelmente é a verdadeira expressão dos fatos: o "Próximo" sou/é "EU mesmo".

No entanto, e nem por isso, é necessário conviver por exemplo, com a criminalidade. Não é porque não há separação entre o doente social, o criminoso, e o observador socialmente ajustado, que devemos permitir uma anarquia danosa ao tecido social estabelecido por consenso. Nesses casos, o mais adequado é tentar um procedimento terapêutico para ajustar o indivíduo problemático, sempre entendendo que "ele" e "nós" somos parte de um mesmo contínuo. O que fazemos a ele, efetivamente fazemos a nós mesmos.

As chamadas regressões de memória, que forneceriam alguma evidência sobre a "re-encarnação", são apenas o levantamento de uma linha causal que justifica um determinado Aqui-eAgora, perante um critério consensual. Para uma mesma individualidade, num outro Aqui-e-Agora, uma outra linha causal igualmente justificaria a nova situação, embora pudesse ser radicalmente diferente da primeira.

Linhas causais são apenas abstrações úteis, assim como imaginar que o Sol gira em torno da Terra. Para quem estranha essa afirmação nos dias de hoje vale lembrar que todos os cálculos da geodésia são feitos baseados na premissa de que o sol gira em torno da terra. E nenhum erro significativo é introduzido.


CONCLUSÃO

O que se chama de "re-encarnação" é um efeito da maneira pela qual se observa um conjunto organizado de experiências. É um caso particular. Ela nem existe e nem deixa de existir, tal qual o arco-íris, que só existe de acordo com o ângulo que se olha. Se for útil para nossos interesses pessoais, podemos considerá-la existente e montaremos uma linha de trabalho que a leve em consideração. Se não for útil, não necessitaremos dela e agiremos de outra maneira. De qualquer forma, nem o tempo, nem o espaço, nem a vida, nem a morte, nem a individualidade, tem existências isoladas. Todas dependem intrinsecamente do EU atemporal de cada um de nós.

A "Verdade" e a segurança que se busca por trás da idéia ou crença na "re-encarnação" só poderá ser encontrada no Real, naquilo que não muda, no EU, na testemunha contínua de todas as experiências. Esse EU-sem-nome é a única coisa "Verdadeira", imutável, contínua em todas as experiências humanas. Esse EU-sem-nome é a única "coisa" Real e que "Realmente" existe. Na experiência consciente de SI mesmo, se encontrará a paz e a estabilidade, a segurança que se almeja, para aproveitar a encarnação ou as re-encarnações. Todas sempre ocorrem, ocorreram e ocorrerão simultâneamente no único momento contínuo à nossa disposição, o Aqui-e-Agora.

Seria uma boa sugestão não perdermos muito "tempo" procurando pelo que pode ser "criado" quando bem entendermos. Quem é que se preocupa com o arco-íris? Eventualmente seria muito mais proveitoso descobrir como criar o que emocionalmente queremos do que ficarmos presos a um ou outro modelo. Mesmo que esse "criar" seja também um modelo.

Aproveitemos a vida construindo nossos sonhos, Amando nossos próximos como a nós mesmos, sejam eles - ou nós mesmos - dependentes ou não da "re-encarnação". Desde que nosso coração esteja saciado, e que não maltratemos conscientemente a ninguém, que diferença faz se existe re-encarnação ou não?


CONCEITOS NUCLEARES:

" O EU está na base da constatação da qualquer dualismo.
" O EU é a referência para qualquer mudança percebida.
" O EU é incognoscível e portanto adimensional.
" O tempo é um construto mental, uma forma de organizar experiências.
" O Aqui-e-Agora é contínuo.
" O tempo no mínimo é "volumétrico".
" Tudo acontece simultâneamente.
" A individualidade, a pessoa, é um conjunto abstrato de experiências observadas pelo EU.
" Você é o EU e não só a individualidade.
" A morte e a vida não se aplicam ao EU porque necessitam ser testemunhadas por ele para serem reconhecidas como existentes.
" As pessoas não são limitadas pelos seus corpos no espaço e nem pela sua mente no tempo.
" O Real não muda.
" O EU é Real.
" Tudo que muda é "ilusório", transitório.
" O EU é impessoal, é sinônimo de Vontade.
" Causas e Efeitos são sub-produtos dos métodos de montagem das experiências observadas.
" Dentro ou fora são categorias de pensamento. Da mesma forma que en-carnado ou des-em-carnado, ou ainda re-em-carnado.
" As Ilusões são Reais se não soubermos que só o EU é Real.



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